💃 Conheça uma artista negra em livro! Com vocês… Josephine Baker, na era do jazz!

O seu filho já leu algum livro que aborde a biografia de uma artista negra? Uma coisa ainda difícil de encontrar no Brasil! Que surpresa, neste início de 2020, encontrar um livro sobre a vida de uma importante artista negra norte-americana de muito sucesso, naturalizada francesa em 1937, chamada Josephine Baker (1906-1975) ou “Vênus negra”, ou “Pérola negra”, ou ainda “Deusa crioula”. O livro se intitula Josephine na era do jazz (Jazz age Josephine, 2012), de Jonah Winter (1962-).

O texto inicia abordando a infância pobre de Josephine em Saint Louis. As belas ilustrações, super coloridas e dançantes, de Marjorie Priceman juntamente com o texto de Jonah Winter contam a infância triste da artista, o que a aproxima do melancólico blues, gênero musical originado na cultura afro-americana que veio acompanhar parte da vida da Josephine.

O blues é música de origem rural do sul dos Estados Unidos, ligada ao extenuante trabalho nas plantações, e desenvolveu-se no final do século XIX, ganhando grande popularidade nos anos 1940, acompanhando a população negra que se espalhava ao norte, que se inseria nas periferias das cidades industrializadas ao longo do rios Mississíppi-Missouri, principalmente Chicago. O melancólico blues irá influenciar e impulsionar o surgimento de músicas de mais movimentos e de outros estados de espírito dançantes como o jazz e o rock and roll.

Pois é aqui que a Deusa Crioula entra, com as danças que a tornaram famosa. Ela tinha um modo particular de dançar! O livro comenta a dança do urso-pardo, o trote do peru, o abraço de coelho, o passo do camelo. Estas danças que lembram movimentos de animais encantaram o meu filho Jefferson e certamente encantará qualquer criança! 😍

A trajetória artística de Josephine, de Saint Louis à Paris, é contada por um texto que apresenta musicalidade, ritmo, movimento. Nos deparamos com trechos com repetições, como ocorre na música e é possível escutar a sonoridade do jazz na escrita, nas sílabas sem sentidos cantadas no scat scatting criado pelo famoso músico Louis Armstrong (1901-1971). Vale a pena apresentar às crianças um pouco do jazz e, por conseguinte, a técnica do scat. Veja estes vídeos: louis armstrong, danny kaye scat singing (3:03) e Ella Fitzgerald: One note Samba (scat singing) 1969 (6:35), bem como um trecho do livro:

O texto também nos conta sobre o racismo, a perseguição à população negra experienciada por Josephine. Mas, apenas na nota do autor, ficamos sabendo que ela foi atuante na luta pelos direitos civis e contra o racismo, apoiando o movimento de Martin Luther King . Aliás, tivemos que falar um pouco com o Jefferson sobre racismo e preconceito, pois ele ficou incomodado de ouvir na história que colocaram fogo nas casas dos negros e, dentre estas, na casa da menina Josephine. Esta menina enfrentou todas estas adversidades e ganhou maior visibilidade artística em Paris, onde o racismo provavelmente não era como nos Estados Unidos. Josephine Baker atuou até no Brasil no Cassino da Urca, em 1939, ao lado de Grande Otelo num quadro chamado Casamento de Preto (BRITO, 2011), com elenco totalmente negro.

Por ter sido esta figura social relevante, além de uma artista negra de importância única que dançava, cantava e atuava, considero importante às crianças e aos adultos terem a acesso a este belo livro. Uma obra importante, no contexto em que vivemos em nosso país de intensificação de atitudes racistas e preconceituosas e, principalmente, por ser uma obra divertida como era a própria Josephine. Como afirmou o New York Times, “um passeio efervescente e cinético, mantido em constante movimento visual pelas linhas rodopiantes e cores jazz-quentes de Marjorie Priceman que farão as crianças tremer e vibrar”. Scat la pa dunda la dum ba dum pa dum pa dum pa pa pa, Ohhhhhh yeah! Ninguém vai dormir enquanto Josephine estiver na cidade!

Josephine Baker. Disponível em: https://medium.com/@joshuashawnmichaelhehe/the-herstory-of-josephine-baker-17532f7cb673
Acesso em: 03 jan. de 2020.

📖 Winter, Jonah. Josephine na era do jazz. Ilustração Marjorie Priceman. Tradução Christine Röhrig. São Paulo: Martins Fontes, 2012, 40 p. Disponível em: emartinsfontes, Amazon, Estante virtual.

BRITO, Deise Santos de. Um ator de fronteira: uma análise da trajetória do ator Grande Otelo no teatro de revista brasileiro entre as décadas de 20 e 40. 2011. 162 p. Dissertação. Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27156/tde-14122011-231051/publico/DISSERTACAO_DEISE_BRITO.pdf. Acesso em: 02 jan. de 2020.

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