📕Que Peleja! Arte popular brasileira … em livro

É uma peleja diversificar os livros que meu filho deve ler! Não é comum achar, por exemplo, muitas obras que aproximam e introduzem a arte popular brasileira às crianças. Apesar das crianças terem o direito de ter acesso a diversos produtos culturais isto dificilmente acontece. Diante disso, tornou-se muito interessante, para mim e para meu filho, deparar com A Peleja, da consagrada escritora brasileira Ana Maria Machado.

Publicada pela primeira vez em 1986, A Peleja faz parte da Coleção Arte para Criança, um projeto da editora Berlendis & Vertecchia, que procura estabelecer um diálogo entre a literatura e as artes plásticas brasileiras. No caso específico de A Peleja, está em foco a cultura nordestina. A começar pela capa com figuras do teatro de mamulengo, do artista pernambucano Sólon Alves de Mendonça (1920-1987). O texto é escrito em versos que ressoam o repente e a literatura de cordel. Por isto, na leitura que fiz com meu filho, tentei enfatizar a musicalidade das rimas e a entonação. Escutem…

A PELEJA

Vire pra mim seu ouvido

E escute o que vou cantar:

As manhãs de um corajoso

Chamado Zé Ribamar,

Por sobrenome Rufino.

Fez coisas de arrepiar,

Lutou com o Monstro mais doido,

Fez Santo descer do altar.

(MACHADO, 2005, p. 6)

A Peleja, como se vê, é a do Zé Ribamar Rufino, um magrelo e franzino, que a pedido de uma doce e linda donzela, aceita enfrentar um “Monstro mais doido”(p.6), o “Monstro Doido”(p. 12) ou um “Monstro Monstrengo”(p. 16). O texto despertou risos, o meu filho Jefferson ouvia e ria, talvez por estranhar uma linguagem diferente! Ele, embora demonstre atualmente muito medo de monstros, adorou a batalha entre Zé Rufino e o monstro, e estes adjetivos dados por Ana Maria Machado ao doido monstro.

Trata-se de um texto desafiador, ele provoca perguntas, como, por exemplo: – O que é peleja? Existem palavras que eram desconhecidas para o meu filho de 4 anos e, portanto, torna-se primordial a mediação dos pais e/ou professores, visando a ampliação do repertório da criança.

Conselho dos bichos, do artista pernambucano Antonio Caboclo

As imagens em A Peleja são belíssimas! Provocaram interesse do meu filho, em especial, as que tem animais. Nem sempre as imagens ilustram o texto, mas dialogam com o espírito nordestino que permeia a obra. E, em conjunto com o texto, as imagens promovem uma intensa experiência estética. As imagens a serem apreciadas pelo leitor são de obras de artistas populares do nordeste: Mestre Vitalino, Zé Caboclo, Manoel Eudócio, Antônio Rodrigues (Antônio Caboclo), Capitão Pereira, Antônia Leão, Mané Galdino, Nhô Caboclo, Sólon e Otávio Francisco dos Santos.

🤔Que leituras o seu(sua) filho(a) faria das imagens? Que tal, conhecer com sua criança um pouco mais sobre os artistas que aparecem em A Peleja? Uma possibilidade é ver o curta animação Mestre Vitalino e Nós no Barro (10:33) e o vídeo Mestre Vitalino (1:25). Que tal, uma visita a artistas populares de sua cidade? Que tal, promover o fazer artístico, por exemplo, com o barro? O imaginário das crianças, e também dos adultos, é permeado de imagens de monstros e de outras figuras que aparecem em A Peleja, produções interessantes podem surgir. Monstros de todos os tipos!

📖MACHADO, Ana Maria. A Peleja. São Paulo: Berlendis & Vertecchia, 2005, 48 páginas. (Série arte para criança). Disponível em: Berlendis & Vertecchia, Livraria da Travessa, Amazon e Estante virtual.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s